No meio do tráfego acelerado de Manaus, no Amazonas, existe um ponto onde o sentido se dissolve.
Vista do alto, a imagem parece mostrar uma rotatória como outra qualquer.
Mas no centro repousa uma escultura incomum: letras de aço gigantescas entrelaçadas em um nó.
Criada por Sérgio Cardoso em 2003, a obra chegou antes da rotatória — o trânsito girava ao redor dela antes de qualquer planejamento viário.
Feita de aço inoxidável e com cerca de quatro metros de altura, seu nome original, “Diálogo”, nunca colou.
Para os moradores, sempre foi “Bola das Letras”.
E assim ficou: um apelido espontâneo, uma referência que escapou do controle e se tornou parte da paisagem urbana.
Hoje, poucos lembram do título oficial — ou mesmo do nome da rotatória.
